Artesão de pães
Por Mariana Moreira
Sentado na bancada da Padaria Santa Tereza, a mais antiga de São Paulo, Mario Francisco dos Santos, 63 anos, não denuncia os anos de padaria que o acompanham, que já são 35. Nascido em Ibicaraí, interior da Bahia, mudou-se com ao família aos 12 anos para Vitória da Conquista. Aos 15, já ensaiava os primeiros passos na cozinha da padaria dos tios. "Quando comecei, era muito mais difícil que hoje. Os padeiros não gostavam que você visse eles trabalhando, então você tinha que aprender na marra". Já casado e com filhos, a decisão de vir para São Paulo veio da vontade de buscar novas oportunidades de emprego. "O salário na Bahia não compensava, apesar de aqui ganhar muito e gastar muito também", acrescenta rindo.

A vida paulistana não é fácil. Todos os dias, Mario acorda às 9h30 da manhã e demora - quando não há trânsito -, 1h30 para chegar da Fazenda do Carmo, onde mora, até o Centro, onde trabalha. Mas nada que o baiano não encare com um sorriso no rosto. "Eu gosto de vir trabalhar, ver gente diferente todo dia". Com 6 filhos e 8 netos (dois dos filhos e cinco dos netos na Bahia), seu Mario se imagina aposentado dentro de alguns anos. O que vai fazer depois? A resposta é simples: viajar. "Vou virar um turista quando parar de trabalhar", comenta com o mesmo tom brincalhão de toda a conversa. Viúvo, hoje vive com outra mulher, com quem está há alguns anos.
Quando perguntado sobre o que mais gosta de fazer, não tem como não perceber a paixão em ser o que é. "Eu gosto de fazer tudo: pão francês, italiano, português, de milho...". Seu Mario comenta, ainda, que hoje em dia está muito mais fácil trabalhar, pois as massas dos pães são disponibilizadas em pré-misturas, exigindo apenas uma complementação da receita. Apesar de muito criticada, a profissão de padeiro era, na visão do Mario, como uma arte. "Na minha época, a pessoa tinha de saber dosar os ingredientes e dar o ponto da massa, tinha toda uma técnica. Hoje, qualquer um pode ser padeiro, a massa já vem praticamente pronta". O padeiro aproveita e acrescenta: "desconfie de uma padaria com a cozinha muito limpa, pois significa que lá eles não trabalham muito". Garante que esté não é o caso da Santa Tereza. Trabalhando há 13 anos como padeiro, Mario conta que tem dias que a bagunça é generalizada: é ovo pra lá, farinha de trigo pra cá... Mas tudo isso dentro de um ambiente agradável. "Aqui é tudo família".

E falando em Santa Tereza... Não deixe de ler a história da primeira padoca de São Paulo no post da Juliana Ortega!
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