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quinta-feira, 5 de junho de 2014

O milagre de Santa Tereza – A arte de fazer pães há 142 anos

Por Juliana Ortega

Hoje, São Paulo pode ser considerada a capital do pãozinho. No total são 3,2 mil padarias espalhadas pela cidade que, juntas, produzem 10,4 milhões de pães por dia, cerca de 7,5 mil por minuto.

Localizada no número 150 da Praça Doutor João Mendes, a padaria e confeitaria Santa Tereza pode se orgulhar de ter começado essa história. Fundada por portugueses em 1872, ela é tida como a primeira padaria da cidade.

Interior da padaria Santa Tereza


A princípio, a sede do estabelecimento ficava na Rua Santa Tereza, o que explica o nome adotado. O novo prédio, atrás da Catedral da Sé, veio apenas em 1947. Mas se engana quem pensa que a tradição se perdeu com o novo endereço. No cardápio da padaria, ainda estão incluídos pratos de seus primeiros anos.

O caso mais emblemático é o da coxa-creme que já atingiu seu 130º aniversário e permanece na lista dos pratos mais pedidos pelos clientes. Todos os dias, cerca de 500 pessoas provam da coxa empanada com o creme feito a partir do caldo de seu próprio cozimento. Cada unidade sai por R$5,90.

Coxa-creme: 130 anos de tradição


Um pouco mais recente, mas ainda assim centenária, a canja de galinha também é marca registrada da Santa Tereza. Uma generosa travessa do caldo engrossado por vegetais batidos é servida por R$19,90.

Após cem anos de sua criação, a canja continua sendo muito procurada pelos clientes.


Se os pratos resistem aos anos, pode-se dizer o mesmo daqueles que trabalham na casa. Hoje a padaria conta com um quadro de 130 funcionários, a maioria com uma longa trajetória no estabelecimento. De acordo com o padeiro Mario Francisco dos Santos, a maior parte dos funcionários estão na Santa Tereza há pelo menos dez anos.  

Para dar conta da demanda, que vem crescendo ao longo do tempo, a padaria não encerra mais suas atividades, alternando escalas entre os empregados. O público, porém, só a encontra aberta entre as 6h e 22h, de segunda a sábado, e das 7h às 21, nos domingos e feriados.

Acompanhando as mudanças no mercado brasileiro, a Santa Tereza passou por diversas reformas ao longo de sua história. A mais importante aconteceu em 1995, quando passou a ser administrada pela família Maturana. Em 2006, ganhou um segundo andar, onde hoje é servido o almoço, aderindo à onda de padarias que oferecem também refeições. Atualmente, a casa adotou ainda o sistema delivery, fazendo cerca de 150 entregas por dia.



Agora que você já sabe um pouco da padaria pioneira de São Paulo, que tal saber como esse tipo de estabelecimento chegou ao Brasil? Não por acaso a Santa Tereza foi fundada por portugueses. No post de Catherine Debelak você confere qual foi a contribuição dos lusitanos para o desenvolvimento das padocas paulistas.

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