![]() |
| Tabela de preços na Padaria Santa Rita |
Basta passar em frente à Padaria Santa Rita, em Mirandópolis, bairro residencial da Zona Sul de São Paulo, para perceber que trata-se de uma típica “padaria de bairro”: o espaço é pequeno, não tem mesas (os clientes que comem no local precisam fazer isso em pé ou sentados em banquinhos ao redor do balcão de atendimento) e as opções de comidas na tabela fixada na parede são restritas. As comandas, utilizadas para saber o que cada um consumiu, são pedaços de papel com tabelas prontas:
basta o atendente marcar um “x” no produto adquirido e escrever ao lado seu valor.
Muitos clientes ainda preferem, ao invés de comer na hora, levar os ingredientes para fazer o lanche em casa. É o caso da auxiliar de farmácia Lais Pinto, de 50 anos e moradora do bairro há pelo menos 13. Ela encontrou uma colega na fila para comprar frios: as duas estavam conversando sobre a igreja que frequentam, que fica bem em frente à padaria, do outro lado da rua. Lais veio pegar mortadela para o jantar da família: “São duzentos gramas, por favor”, diz ao atendente do balcão. “Passou um pouquinho, dona. Pode ser duzentos e quinze?”, ele pergunta e ela concorda. Quando questionada se frequenta sempre a padaria, Lais assume que faz isso esporadicamente: “Na maioria das vezes, aproveito que estou no supermercado para comprar tudo lá, mas como hoje só precisava da mortadela, dei uma passadinha rápida aqui”, conta.
![]() |
| Cardápio da Bella Paulista com tradução para o inglês |
A espera na fila para conseguir uma mesa no local, mesmo em uma segunda-feira à noite, pode levar até meia hora. Os preços também divergem muito. Enquanto na Padaria Santa Rita o lanche mais caro é o X-Tudo, pelo preço de R$ 15,00, na Bella Paulista é preciso desembolsar R$ 41,10 para experimentar o lanche mais caro, com o nome de Morumbi, que leva “roast beef, queijo branco, ovo frito, cheddar, tomate e alface”. Vitor Tadashi, de 23 anos, é auxiliar administrativo e costuma frequentar a casa com a namorada: “Gostamos daqui porque fica próximo ao metrô e a comida é boa. Tem muitas opções e dá pra experimentar uma coisa diferente sempre”, brinca. Quando Vitor pede um suco de laranja, o garçom logo pergunta: “É no copo normal ou no colorido?”. Segundo o funcionário, alguns clientes “só bebem se o suco vier no copo colorido”, embora os dois sejam o mesmo preço.
![]() |
| Decoração da Bella Paulista Casa de Pães |
![]() |
| Funcionários lavam o chão antes de encerrarem o expediente |
Enquanto isso, na Padaria Santa Rita, próximo ao encerramento do expediente, os atendentes começam a lavar o chão, mesmo com os clientes lá dentro. Os dois responsáveis pelo balcão, vestidos com avental e chapéu, se revezam entre um balde e um rodo. Olhando ao redor, é possível perceber que o único objeto de decoração da padaria é uma santa colocada no alto, que originalmente teria a cor branca, mas que já está praticamente cinza. Em contraste com os luxuosos lustres da Bella Paulista, os sete quilômetros de diferença entre as duas padarias parecem indicar a existência de dois mundos completamente diferentes, apesar de possuírem exatamente as mesmas origens.
E ainda na temática de diversidade das "padocas", confira no texto de Amanda Grecco as novidades sobre padarias orgânicas.




gostaria de mais informações sobre o painel, queria colocar um igual na minha padaria
ResponderExcluir