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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Padoca brasileira: um feito português

Por Catherine Debelak


Padaria Confeitaria e Pizzeria Lisboa, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. 1952.
Não se faz padarias como no Brasil. Você sai para comprar um pãozinho francês fresquinho e volta com frios, bolo, sonho, cerveja, sorvete, pizza, caldos, salgadinhos, revistas, chicletes, flores... Enfim, existe um mundo de possibilidade pra se comprar na padaria mais próxima, mas você já parou para pensar quais são as origens desse estabelecimento tipicamente brasileiro? 
Eles surgiram com a colonização portuguesa! Os lusitanos, em época de vacas magras na terrinha, embarcaram em massa com destino à colônia – isso no final do século XIX e começo do XX – em busca de novas oportunidades de trabalho e de uma vida melhor. 

De todos que desembarcavam em portos brasileiros, a parcela mais numerosa queria mesmo é morar na cidade – sendo o Rio de Janeiro e São Paulo os principais destinos. A cidade lhes parecia mais promissora: um lugar onde se tinha mais chances de fazer dinheiro e ascender socialmente. 

Em pouco tempo viraram profissionais autônomos e pequenos empresários que, notando as novas necessidades de consumo que surgiam no território, souberam como prosperar em seus negócios. Uma destas necessidades era a de consumir pão.

As mulheres já dominavam o ramo. Fazendo pães deliciosos em suas casas, elas os vendiam pelo bairro, sem ter um estabelecimento fixo. Mas o negócio foi se profissionalizando, com produção regular e em maior escala.

As padarias portuguesas só ganharam mais fama do que as outras pela invenção do pão francês, que de francês só tem o nome. Era fresquinho e saía em várias fornadas por dia, não à toa conquistou uma grande freguesia e é o preferido do brasileiro até hoje. Daí em diante, elas passaram por gerações de descendentes lusitanos e, acompanhando as mudanças da sociedade, viraram tão multifuncionais e modernas como são. Mas isso é assunto do próximo post.


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